Motivos Pelos Quais Eu Não Namoro
- Mariane Level
- 2 de abr.
- 2 min de leitura
(Uma Lista Honesta e Devidamente Documentada)

(Imagem: post its colados na parede em formato de coração, anotações, canetas, notebook, xícara sobre a escrivaninha)
Eu fiz uma lista. Não porque alguém pediu, mas porque listas dão a falsa sensação de que você tem controle sobre a sua vida, e eu preciso disso agora.
Motivo 1: ninguém me quer.
Motivo 2: não quero ninguém.
Motivo 3: dá trabalho, e eu estou muito ocupada fazendo dissertação de mestrado e criando blogs.
Motivo 4: preciso criar mais motivos.
Repare que o motivo 4 é um projeto em aberto. Estou aceitando sugestões.
Meu irmão, com aquela franqueza de irmão mais novo que acha que pode falar tudo, já deu o veredicto: eu não levo jeito pra namoro. Segundo ele, eu não tenho paciência para lidar com gente. E olha, eu não vou mentir, ele tem um ponto. Namoro requer cuidado. Cuidado dá trabalho. Trabalho eu já tenho demais. A conta não fecha.
Mas aí que mora o perigo de verdade. Quando você passa tempo demais sem se relacionar, você simplesmente esquece como funciona. As regras somem da memória como guarda-chuva em dia de chuva, e aí você fica olhando pro vazio perguntando: existem regras, meu povo? Porque eu juro que não me lembro.
Quem convida quem? Se ele for tímido, eu convido? Se ele for sem dinheiro, eu pago a conta? Teve alguma emenda, algum inciso revisado na constituição do amor que eu não li? Alguém me manda o link do Diário Oficial.
A verdade, porém, que meu tio Fred resume melhor do que qualquer manual de relacionamento, é a seguinte: quando você encontra a pessoa certa, não tem regra nenhuma. É selva e vai.
Eu ouço isso e penso: faz sentido. Faz todo o sentido.
E então me pego repetindo a frase que resume minha vida amorosa com precisão cirúrgica:
Deus me livre. Mas quem me dera.



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